“Bem no alto, quando não mais parece haver como continuar subindo, uma porta conduz a uma velha oficina.
Esse aroma de óleo e madeira misturados tem cheiro de saudade. Vem das antigas ferramentas de ferro, da madeira e tudo o mais que povoa o ambiente.
Local onde a mão que trabalha cada peça ludibria a impaciência do tempo.”
Mesmo aquele caído no mais profundo dos sonos despertará ao simples vislumbre, pois a linguagem dos sentidos remonta aos primórdios, mas ainda encontra-se entranhada em nosso ser, visceralmente.
É através dessa linguagem que as flores que margeiam esses degraus convidam-nos a subir. Galgá-los é deixar-se conduzir.
Por muitas, apenas desviava daquele galho que pendia sobre a calçada que, pensava, deveria ser de pedestre. Muito menores foram aquelas em que reconhecia a flor e pensava: é uma “graxa”, coisa comum onde quer que se vá.
Vivemos os dias em que só as “anormalidades” parecem desviar nossa atenção, somente elas são capazes de roubar uns instantes de nosso precioso tempo, tempo escasso e urgente, do qual viramos escravos.
Duas quadras adiante
Os escravos do tempo costumam sofrer também de cegueira. E outros tantos males, devo admitir. Mas somente quem tiver olhos de enxergar esse laço invisível que lhe toma as rédeas poderá, talvez, vislumbrar através das frestas de uma cegueira inventada.
Quantas vezes já passei por aqui. Isso até está parecendo que é outro lugar…