Fotos que contam histórias

Spathi
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A flor da lança


Plantas, flores e 3D – série-1

As fotos a seguir usam duas técnicas que possibilitam a visualização da imagem com o efeito 3D: Anaglyph e crosseye (este último é um termo usado, porém pouco formal).

Para ver o efeito em fotos Anaglyph você terá que ter em mãos um óculos vermelho/ciano (red/cyan), daqueles que outrora foram adotados em alguns filmes-3D. Esta técnica é conhecida por não representar fielmente as cores da imagem, mas o efeito não requer esforço do leitor e se mostra como algo que “salta a tela”.

Já o efeito 3D conseguido por meio da técnica crosseye não depende de equipamento e sim de algum treino para “misturar” as duas imagens apresentadas apenas através da convergência dos olhos. Gasta-se algum tempo, mas o efeito é compensador. A as cores são fiéis e a imagem se mostra com maior qualidade.


Protandria em Impatiens

O botão nasce, desenvolve-se e a flor abre.




Permanece aberta entre três a cinco dias, quando então despe-se das pétalas.
Resta então o fruto que desenvolverá as sementes… ou se perderá.

A ocorrência da fecundação depende de interações e sincronismo que a natureza vem cuidando de manter através dos tempos.


Mas em qual momento ocorre a polinização?

Voltemos alguns quadros. Quando a flor abre (antese) pode-se notar que há no centro uma pequena protuberância, uma espécie de cápsula com uma fenda. Abaixo dela vemos a entrada do tubo nectário.


Nessa estrutura encontram-se as anteras, de onde são gerados os grãos de pólen. Com a antese, a fenda das anteras começa a abrir (deiscência das anteras) e só então ocorre a liberação do pólen.

Pouco no início, a liberação passa a aumentar e após 24 horas já é abundante: a flor parece viver uma fase totalmente masculina.

A polinização é a transferência dos grãos de pólen das anteras para os estigmas – parte do órgão masculino (androceu) e feminino (gineceu) da flor.

Mas onde estão os estigmas? Como polinizar manualmente a flor de Impatiens?

Cerca de quarenta e oito horas depois da abertura da flor, o segredo começa a ser desvendado.

A estrutura das anteras e todo o androceu entra em colapso e, em um sobressalto, revela que ele próprio recobria sua porção complementar: vemos então o carpelo (estigma, estilete e ovário).

Essa é uma planta em que o fruto libera as sementes em uma explosão. Literalmente. E ela parece gostar desse tipo de espetáculo, pois também o emprega, em menor escala, ao descobrir o órgão feminino.

A estrutura masculina, que recobria a feminina, rompe-se da flor em sua base e começa a desidratar-se iniciando uma ruptura longitudinalmente, de baixo para cima, até que se desprenda definitivamente como se fosse ejetado.

É quando podemos ver um carpelo novo em flor, com um estigma ainda não receptivo: a flor parece viver agora sua fase feminina.

O estigma começa então a abrir-se como uma flor em miniatura.

O surgimento da “flor” de uma flor é o sinal para a polinização.




A maturação do estigma ocorre bem depois da maturação do grão de pólen: você presenciou a protandria em Impatiens.

Esses processos que dificultam a fecundação de uma flor pelo seu próprio pólen são mecanismos de auto-incompatibilidade. Eles têm sustentação no modelo evolucionário.

Duas flores em duas fases: masculina e feminina

Polinização